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Inventário de riscos ocupacionais: o que é, o que deve conter e como montar

É nele que os perigos identificados viram registro auditável. Conteúdo mínimo, estrutura por setor, classificação do nível de risco e os erros mais comuns.

O inventário de riscos ocupacionais é onde tudo o que a empresa levantou sobre perigos e exposições vira registro organizado. Junto com o plano de ação, ele forma o conteúdo mínimo do PGR exigido pela NR-1. Sem inventário, não existe PGR, e sem PGR a empresa está descoberta diante da fiscalização.

O que é o inventário de riscos

É o documento que consolida os dados da identificação dos perigos e da avaliação dos riscos ocupacionais. Ele responde, de forma estruturada, a quatro perguntas: o que existe de perigo na empresa, onde esse perigo está, quem fica exposto a ele e qual é a gravidade dessa exposição.

Inventário não é laudo

Laudos técnicos (como avaliações quantitativas de agentes) alimentam o inventário, mas não o substituem. O inventário é a visão consolidada e navegável de todos os riscos da organização, inclusive os que não têm medição instrumental, como os psicossociais.

O conteúdo mínimo que a NR-1 exige

A norma lista as informações que não podem faltar. Na prática, um inventário defensável contém:

  • Caracterização dos processos e dos ambientes de trabalho. O que a empresa faz e onde faz.
  • Caracterização das atividades. O que é executado em cada posto ou função.
  • Descrição dos perigos e das fontes de risco.Não basta dizer “ruído” ou “sobrecarga”, é preciso indicar de onde vem.
  • Identificação dos grupos de trabalhadores expostos. Setor, cargo e quantidade de pessoas.
  • Lesões ou agravos à saúde que podem decorrer da exposição.
  • Avaliação do nível de risco e os critérios usados para chegar a ele.
  • Medidas de prevenção já implementadas e a avaliação da eficácia delas.
  • Data, responsável técnico e assinatura, além do histórico de revisões.

Como estruturar na prática

O inventário fica utilizável quando é organizado por setor e, dentro do setor, por cargo ou atividade. Essa hierarquia é o que permite responder rápido à pergunta que sempre aparece na fiscalização e na gestão: quais riscos existem naquele setor específico e o que está sendo feito sobre eles.

  1. Liste setores e cargos reais. Organograma de papel não serve. Se a expedição virou parte da produção, o inventário precisa refletir isso.
  2. Levante os perigos por atividade. Inclua as cinco famílias clássicas (físico, químico, biológico, ergonômico e de acidente) e, obrigatoriamente, os fatores psicossociais.
  3. Aponte a fonte geradora. A fonte é o que o plano de ação vai atacar. Sem ela, a ação vira genérica.
  4. Classifique o nível de risco combinando probabilidade e severidade, e registre o critério adotado.
  5. Registre o que já existe de controle e se ele está funcionando. Medida antiga e ineficaz precisa aparecer como ineficaz.
  6. Conecte cada risco relevante a uma ação. Todo risco alto ou crítico sem linha correspondente no plano de ação é uma lacuna evidente.

Risco psicossocial dentro do inventário

Ele segue exatamente a mesma estrutura. A diferença está na origem do dado: em vez de medição instrumental, a entrada vem da percepção coletada dos trabalhadores e dos indicadores internos (absenteísmo, rotatividade, denúncias). O caminho completo está em avaliação de riscos psicossociais.

A matriz de risco: como sair do achismo na classificação

O item que mais gera questionamento técnico em um inventário é o nível de risco. Classificar como médio sem explicar o raciocínio deixa a avaliação sem sustentação. A saída usual é a matriz de risco, que cruza a probabilidade de o dano ocorrer com a severidade esperada e entrega uma classificação reproduzível.

ProbabilidadeSeveridade leveSeveridade moderadaSeveridade grave
RaraBaixoBaixoMédio
Pouco provávelBaixoMédioAlto
ProvávelMédioAltoCrítico
FrequenteAltoCríticoCrítico
Exemplo de matriz. A escala adotada é uma escolha da organização e precisa ficar registrada no próprio inventário.

Três cuidados fazem a diferença. O critério de cada faixa precisa estar escrito, e não apenas na cabeça de quem classificou. A escala deve ser a mesma para todos os riscos, porque matriz diferente por família de risco impede comparar prioridade. E a classificação precisa vir antes das medidas de controle, com o efeito delas registrado depois, mostrando a redução alcançada.

Como fica uma linha preenchida

Nada esclarece mais que um exemplo. Abaixo, duas linhas de inventário no mesmo formato: uma de risco tradicional e uma de risco psicossocial, para deixar claro que a estrutura é idêntica.

CampoExemplo de risco físicoExemplo de risco psicossocial
SetorProdução, linha de montagemAtendimento ao cliente
Função expostaOperador de máquina (12 pessoas)Atendente de suporte (28 pessoas)
PerigoRuído contínuoSobrecarga de trabalho e pressão por tempo de atendimento
Fonte geradoraPrensa hidráulica sem enclausuramentoMeta de chamadas por hora incompatível com o tempo médio real de atendimento
Possíveis agravosPerda auditiva induzida por ruídoTranstornos de ansiedade, esgotamento profissional, adoecimento cardiovascular
Como foi avaliadoMedição de nível de pressão sonora, laudo de 03/2026Questionário estruturado aplicado em 04/2026, adesão de 78%, somado a indicadores de absenteísmo e rotatividade do setor
Nível de riscoAltoAlto
Controles existentesProtetor auricular fornecido, eficácia parcialNenhum controle formal até a avaliação
Ação no planoEnclausuramento acústico da prensa. Responsável: engenharia. Prazo: 30/11/2026Revisão da meta horária e redimensionamento da equipe. Responsável: gerência de operações. Prazo: 30/10/2026
Exemplo ilustrativo. Os dados devem refletir a realidade levantada na própria empresa.

Repare no campo “como foi avaliado”. Ele é o que transforma a linha em evidência auditável: sem data, método e abrangência, o nível de risco atribuído fica sem lastro.

Inventário por setor, sem planilha solta

O Regula Hub monta o inventário a partir do questionário aplicado e do mapeamento por setor, já ligado ao plano de ação e pronto para exportar.

Os erros que mais aparecem

  • Inventário genérico de modelo pronto. Documento comprado que descreve uma empresa que não é a sua é fácil de identificar e enfraquece toda a defesa.
  • Risco psicossocial ausente. Depois da Portaria MTE nº 1.419/2024, um inventário que só fala de agentes físicos e químicos está incompleto por definição.
  • Nível de risco sem critério.Classificar como “médio” sem explicar como se chegou lá deixa a avaliação sem sustentação técnica.
  • Documento sem data, sem assinatura ou sem versão. Falha formal simples que compromete um trabalho técnico correto.
  • Inventário desconectado do plano de ação. Riscos altos listados e nenhuma medida correspondente é a contradição mais visível possível.
  • Documento congelado. Inventário que não muda há três anos, em uma empresa que mudou, indica que o processo parou.

Disponibilidade também é exigência

Os documentos do PGR devem estar sempre disponíveis aos trabalhadores interessados, aos seus representantes e à Inspeção do Trabalho. Inventário que ninguém localiza no dia da fiscalização produz o mesmo efeito de um inventário inexistente.

Quando revisar

A revisão deve acontecer sempre que houver mudança capaz de alterar a exposição: novo processo, nova máquina, mudança de layout, alteração de jornada ou escala, reestruturação de equipe, e também após acidente ou ocorrência relevante. Fora esses gatilhos, a prática de mercado é a revisão periódica anual, alinhada ao ciclo do PGR. A relação entre os dois documentos está explicada em GRO e PGR: qual a diferença.

Perguntas frequentes

O que é o inventário de riscos ocupacionais?
É o documento que consolida a identificação dos perigos e a avaliação dos riscos da organização. Junto com o plano de ação, forma o conteúdo mínimo do PGR exigido pela NR-1. Ele responde de forma estruturada a quatro perguntas: quais perigos existem, onde estão, quem fica exposto e qual a gravidade da exposição.
O que o inventário de riscos precisa conter?
Caracterização dos processos, dos ambientes e das atividades; descrição dos perigos e das fontes geradoras; identificação dos grupos de trabalhadores expostos; possíveis lesões ou agravos à saúde; avaliação do nível de risco com os critérios adotados; medidas de prevenção já implementadas e a avaliação da eficácia delas; além de data, responsável e assinatura, com histórico de revisões.
Como se classifica o nível de risco no inventário?
Combinando a probabilidade de o dano ocorrer com a severidade esperada, normalmente por meio de uma matriz de risco. A NR-1 não impõe uma escala específica, então a organização escolhe a sua, com uma condição: o critério precisa estar registrado no próprio inventário e ser o mesmo para todas as famílias de risco, sob pena de não ser possível comparar prioridades.
Posso usar um modelo pronto de inventário de riscos?
Um modelo serve como estrutura de campos, nunca como conteúdo. Inventário que descreve processos, setores e fontes geradoras que não são os da empresa é identificado com facilidade em uma fiscalização e enfraquece toda a documentação. Os riscos precisam sair do levantamento feito na própria organização.
Os riscos psicossociais entram no mesmo inventário?
Sim, na mesma estrutura dos demais riscos. A diferença está na origem do dado: em vez de medição instrumental, a entrada vem da percepção coletada dos trabalhadores por questionário estruturado, somada a indicadores internos como absenteísmo, rotatividade e registros no canal de denúncia. Manter esse resultado em documento separado significa, para efeito da norma, não ter gerenciado o risco.
De quanto em quanto tempo o inventário deve ser revisado?
Sempre que houver mudança capaz de alterar a exposição: novo processo, nova máquina, mudança de layout, alteração de jornada ou escala, reestruturação de equipe, e também após acidente ou ocorrência relevante. Fora esses gatilhos, a prática de mercado é a revisão periódica anual, alinhada ao ciclo do PGR.
Inventário de riscos e laudo técnico são a mesma coisa?
Não. Laudos técnicos, como as avaliações quantitativas de agentes, alimentam o inventário com dados de exposição, mas não o substituem. O inventário é a visão consolidada de todos os riscos da organização, inclusive os que não têm medição instrumental possível, como os fatores psicossociais.

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